O QUE O JORNAL O GLOBO NÃO PUBLICA

Requião apóia ocupação da Aracruz Celulose


O governador do Paraná Roberto Requião declarou apoio ao ato realizado pelas mulheres da Via Campesina em 8 de março, quando elas ocuparam a Aracruz Celulose, no município de Barra do Ribeiro (RS). “A ação das mulheres camponesas no horto-florestal da Aracruz é positiva porque não é omissa e despertou a sociedade para o problema da padronização das culturas no Brasil, das monoculturas voltada exclusivamente para exportação para a produção de papel. O pior é a omissão frente a isso”, disse Requião.

As trabalhadoras rurais protestavam contra a expansão dos desertos verdes. A Aracruz Celulose é a maior proprietária no país: tem 250 mil hectares plantados em terras próprias, 50 mil só no Rio Grande do Sul. Suas fábricas produzem 2,4 milhões de toneladas de celulose branqueada por ano, gerando contaminação no ar e na água, além e prejudicar a saúde humana. “Se existe uma idéia e uma consciência, ela tem que ser exercida. Às vezes, à luz da visão comum das pessoas, será exercida com excesso, mas será sempre positiva do ponto de vista do interesse global da sociedade. A monocultura de eucaliptos agride pesadamente a biodiversidade e apresenta uma visão industrial. Uma plantação de eucalipto não é uma floresta, é uma plantação industrial. Não sobrevivem as espécies animais, não existem flores e sementes. Há uma drenagem absoluta da água e uma degradação do solo. E, afinal, a terra em que vivemos não é para nós agora. É para nos para sempre, para os nossos filhos, netos e descendentes. Estamos cometendo um equívoco enorme à medida que tratamos do planeta como um espaço de negócios, enquanto na verdade o planeta é um espaço de vida”, afirmou o governador.

O secretário de Biodiversidades e Florestas do Ministério do Meio Ambiente João Paulo Capobianco também apoiou a mobilização: “as ações [como a das mulheres na Aracruz] que visam chamar a atenção da sociedade para a necessidade da coexistência de sistemas de produção são importantes. Qualquer ação que coloque isso em debate tem de ser destacada e valorizada". Capobianco elogiou o ato de plantio de árvores realizado hoje pela manhã no Paraná. "Isso mostra o compromisso e objetivo dos movimentos sociais. É claramente uma convergência cada vez maior da defesa da agricultura familiar e da biodiversidade. É extremamente importante a participação da Via Campesina nesse evento e a demonstração do compromisso com a temática. Ajuda também a aproximar a agenda ambiental da agricultura no Brasil”, disse.

Escrito por Socador às 11h32
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O QUE A REDE GLOBO NÃO MOSTRA!

Acampamento do MST é atacado por capangas na Paraíba



Ontem pela manhã, o acampamento 17 de Abril, localizado no município de Riachão do Poço (PB), foi alvo da ação de capangas. Os homens atiraram durante 15 minutos em direção às 45 famílias acampadas dentro do imóvel Imaculada. Os pistoleiros ameaçaram os trabalhadores e as trabalhadoras que tentavam impedir, com os próprios corpos, a aragem das terras do imóvel, reivindicado como improdutivo pelo MST.

Para o Movimento, a violência tem como objetivo mascarar o imóvel como produtivo, antes da vistoria do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), prejudicando o processo de desapropriação da área.

Conforme negociação firmada ontem entre o MST e o Incra, técnicos do Instituto se dirigiram hoje ao município de Juripiranga para realizar a vistoria na fazenda Santo André dos Angicos e foram impedidos de entrar no imóvel por capangas da fazenda.

Escrito por Socador às 11h06
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Nada contra o Botafogo, porém tudo a favor do Madureira, que fica no coração do samba, onde habitam Portela e Império Serrano. E não me venham com este papo de Oswaldo Cruz e Serrinha.

Dá-lhe Madureira.

Escrito por Socador às 09h33
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ARTHUR DAPIEVE

 

A resistência do samba

 

Não é de hoje que o samba vem discutindo sua relação com o carnaval. A
reportagem de Cesar Tartaglia e Marcia Cezimbra publicada na última revista
do GLOBO expõe a mais recente rusga: a puxada de tapete que a Unidos de Vila
Isabel aplicou logo em Martinho da Vila e Luiz Carlos da Vila. Convidada pela
diretoria a concorrer ao samba-enredo da escola, a dupla de bambas serviu
apenas para valorizar a vitória de outrem.

Talvez seja oportuno, também, discutir algo que, a meu ver, tem feito tanto
mal ao gênero musical quanto a clonagem anual de sambas-enredos indigentes, o
pagode-mauricinho ou o aluguel das escolas a políticos, celebridades e
turistas: o clichê a resistência do samba. Fora do carnaval, época em que
bem ou mal os tamborins soam ainda mais alto, a expressão surge quase sempre que
se fala ou escreve sobre o assunto.

No entanto, é bem difícil entender contra quem o samba resiste. Parece o discurso paranóico do Lula. O sambista Zeca Pagodinho talvez seja, hoje, o cantor mais popular do Brasil. A dúvida fica por conta, claro, do longevo reinado de Roberto Carlos. Pagodinho talvez seja, também, o maior cantor de samba vivo. Aqui, a minha dúvida fica por conta de outro grande Roberto, o Silva, de 85 anos, intérprete, entre outros, dos quatro formidáveis álbuns intitulados “Descendo o morro”, do fim da década de 50 e do começo da de 60.

A popularidade e a excelência de Pagodinho fazem com que ele receba, o ano inteiro, o tipo de cobertura jornalística dedicada apenas eventualmente a um Mick Jagger: o que disse, onde esteve, o que fez, o que comeu (ou bebeu). O canal por assinatura Sportv, por exemplo, estava na casa do alvinegro Pagodinho quando ele recebeu os amigos americanos Monarco e Mauro Diniz para assistirem à decisão da Taça Guanabara. E o anfitrião — a quem assisti pela primeira vez em 1986, no velho campo do América, num showmício do PDT com a falecida Jovelina Pérola Negra e Almir Guineto — já foi até garoto-propaganda disputado por duas das principais marcas de cervejas do país.

Cabe, então, perguntar: a que resiste o samba, se a sua face mais visível goza deste merecido prestígio na grande mídia? A que resiste o samba, se ele é,há décadas, o ramo mais robusto da nossa música, transmutando-se na bossa nova,influenciando o pessoal dos festivais e da Tropicália, fundindo-se ao
pop-rock nativo? (Isso num dos três países do mundo que mais escutam a própria música;
os outros, a propósito, são EUA e Japão.) A que resiste o samba, se o culto a ele movimenta as casas noturnas da Lapa?

E, no entanto, ouvimos e lemos que o bairro sedia “a resistência dosamba”...

Todo clichê, ao imobilizar a fala, imobiliza também o pensamento. O que se quer dizer quando se diz que uma coisa resiste a outra? Que ela está na defensiva, sob ataque, está em posição inferior, de vítima. A intenção dos retransmissores de clichê pode até ser boa, calcada na lembrança da antiga perseguição referida
em “Agoniza mas não morre”, de Nelson Sargento. Contudo, na prática, eles diminuem o gênero que pretendem engrandecer.O samba não é escravo, o samba é senhor. Dizer menos que isso de um gênero musical que vive em, além dos já mencionados, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nei Lopes, Jamelão, D. Ivone Lara, Aldir Blanc, Moacyr Luz, Beth Carvalho, Walter Alfaiate, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, soa-me até ofensivo.
Invocados pela “resistência do samba”, estes nomes acabam é servindo de álibi para a abolição de todo espírito crítico.

Como tal retórica tem caráter patriótico, um mero senão equivale a alta traição. Os bambas são usados, dentro desta lógica, exatamente como Martinho e Luiz Carlos foram usados no concurso da Vila: para referendar gente sem o seu talento. Porque é uma impossibilidade estatística-estética que não haja
disco ruim de samba, que toda jovem cantora seja maravilhosa ou que todo velho sambista obscuro seja uma preciosidade.

Admitir isso, todavia, seria crime de lesa-pátria. Então, tome elogio à “resistência do samba”. Este discurso paternalista e mediocrizante já teve conseqüências nefastas na cultura brasileira. Enquanto considerou-se (e foi) merecedor de “uma força” do Estado e da crítica, por exemplo, o nosso cinema patinou. Hoje, mesmo ao largo da retórica nacionalista, a falta de senso crítico alimenta a nostalgia esterilizante do rock dos anos 80.

O conservadorismo é, por sinal, outra faceta da “resistência do samba”. Dois anos atrás, no site “NoMínimo”, o jornalista Paulo Roberto Pires, ao defender Marcelo D2 numa discussão com os xiitas do gênero, criou um termo feliz:talibambas. Foram eles que pediram para Mart’nália tocar mais baixo seu pandeiro numa roda de samba na Lapa, como ela se queixou aqui no Segundo Caderno, também há dois anos, ao repórter João Pimentel.

Recentemente, outro renovador do samba, Leandro Sapucahy, teve até dificuldades de se apresentar no bairro. Só conseguiu graças ao aval de Zeca Pagodinho, que participa de seu ainda inédito CD, bem como Marcelo D2. Aos ouvidos do pessoal entrincheirado no passado, Sapucahy comete a heresia de lançar uma ponte do samba ao rap, falando de tráfico, mineira, bala perdida, Nextel. De tanto proteger o gênero, os talibambas perigam sufocá-lo. Afinal, como diz o samba de Aluizio Machado, “água demais mata a planta”.

 

Enviado por Sogrinha

 


 

Escrito por Socador às 09h39
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