HOMENAGENS PÓSTUMAS

Tia Eulália na Xiba (Cláudio Jorge/Nei Lopes)

Já meio cambaia de tanta batalha
Já meio grisalha de tanto sereno
No colo moreno, escondendo a navalha
Chegou tia Eulália sondando o terreno

Veio, no calcanha, de Além Paraíba
Dançando uma xiba, arrastando a sandália
Enrolando o xale e a saia pra riba
Separando briga de nego canalha...

Lêlê, abre a roda, olalá
Que eu quero ver Tia Eulália dançar

A voz Clementina já bastante rouca
É uma coisa louca a sinhá Tia Eulália
Cigarro de palha no canto da boca
Não dorme de touca e nunca se atrapalha

Ela é veterana da guerra da Itália
Mas inda estraçalha no bolimbolacho
Quando bole em baixo tá com tudo em riba
Quando cai na xiba, a casa vem abaixo...

Lêlê , abre a roda, olalá
Que eu quero ver Tia Eulália dançar

 

BRAZIL, COM Z, NÃO SEREMOS JAMAIS, OU SEREMOS?

(Almir de Araújo, Balinha, Marquinhos Lessa, Hércules e Carlinhos de Pilares)

 

Tudo bem, novamente popular

Um novo Sol a brilhar

É isso aí vou caprichar (eu falei)

Vou caprichar

Brasil, meu Brasil

Com S fica bem mais forte

No Sul, no Centro, ou no Norte

Na voz do nosso povo

Ninguém vai me enganar de novo

Num sorriso de criança

A fé, a esperança conquistar

O que é da nossa terra

Sem essa de americanizar

Não enfia o pau

Noutra bandeira

Vai, tira, tira

E bota a nossa brasileira

Sou "canariquito"

Carioca a cantar

Águia não cala meu bico

Meu ouvido não é penico

Meu Sam é de Sambar

Unindo os heróis brasileiros

Dos pagodes nos terreiros

Contra o que vem de lá

Canto a liberdade

Meu hino, minha verdade

A feijoada e o vatapá

Quem comeu, comeu

)

Quem não comeu não come mais

) BIS

Brazil com Z jamais!

)

 

Escrito por Socador às 07h18
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 MAURO SANTAYANA
    da Agência Carta Maior

    Com os olhos em Roberto Jefferson, não estamos atentos ao que se passa
    ali, no Paraguai. O governo de Assunção acaba de autorizar o
    estacionamento de tropas norte-americanas em seu território. Pela
    primeira vez teremos bases estrangeiras permanentes na América do Sul,
    e em região estratégica continental. Nessa tríplice fronteira se encontra
    a maior represa do mundo, a de Itaipu, de cuja energia todo o
    território paraguaio e grande parte do território brasileiro dependem. A região é
    também das mais férteis do mundo e se encontra mais ou menos na
    eqüidistância dos dois oceanos.
    Temos relações historicamente difíceis com o Paraguai, desde a guerra
    contra López. Os revisionistas procuram culpar o Brasil pelo conflito,
    mas a isso fomos levados pelo fechamento do Rio Paraguai aos nossos
    barcos e, em seguida, pela invasão de grande parte do território do
    Mato Grosso. Não coube ao Brasil a iniciativa da agressão. É certo que o
    genro do Imperador Pedro II foi particularmente cruel com a população
    derrotada e, talvez por isso, tenhamos cedido em tudo nas nossas
    relações com o país vizinho.
    Não sabemos se o Paraguai nos comunicou essa decisão perigosa. É
    provável que não. A submissão paraguaia aos Estados Unidos é tão forte
    que este colunista, há quarenta anos, ao descer em Assunção, encontrou
    o aeroporto tomado por tropas formadas, ao lado de colegiais que agitavam
    bandeirolas norte-americanas. Procurou saber o que ocorria: o
    funcionário do Departamento de Estado que cuidava dos assuntos do
    Paraguai estava chegando em visita oficial a Assunção.
    Conforme divulgou a revista Newsweek, logo depois de 11 de setembro, o
    sub-secretário da Defesa, Douglas Feith, sugeriu a Bush a invasão da
    tríplice Fronteira por tropas aerotransportadas, a fim de capturar
    membros da Al Qaeda e ocupar permanentemente a região. Alguém achou
    melhor a invasão do Iraque, mais viável politicamente. Tudo isso nos
    leva a pensar um pouco no que nos está ocorrendo. É bem provável que
    Washington tente retirar vantagens da crise interna. Um país dividido,
    conforme a velha advertência de Lincoln, é presa fácil para os seus
    adversários.
    Como os Estados Unidos não podem viver sem guerras, e estando suas
    tropas escorraçadas do Iraque, não seria de admirar se viessem a nos
    agredir sob o pretexto da presença de muçulmanos em Foz do Iguaçu. Tudo
    isso deve convocar a nossa reflexão, a fim de esclarecer logo as
    denúncias que atingem o governo e o Partido dos Trabalhadores, a fim de
    que possamos nos organizar para a eventual defesa da soberania
    territorial do Brasil. Temos, ali, o exemplo histórico de provocações e
    de ocupação de nosso espaço soberano.
    Os Estados Unidos, hoje, mais do que nunca, estão desrespeitando todas
    as regras de convívio internacional, a ponto de o mais submisso
    governante europeu, Sílvio Berlusconi, ver-se obrigado, na última
    sexta-feira (1º), a pedir explicações oficiais ao embaixador
    norte-americano pelo fato de a CIA ter seqüestrado um clérigo muçulmano
    em Milão e o haver transferido clandestinamente para fora do país. A
    Justiça italiana determinou a prisão dos 13 agentes da CIA envolvidos
    no episódio.
    Se assim agem contra um país da União Européia com o qual têm as
    relações mais fraternas ao longo da História, que podemos deles esperar
    quando nos encontramos fragilizados pela crise, e pela entrega de
    setores estratégicos aos estrangeiros, durante o governo neoliberal de
    Fernando Henrique, quando disputamos com o Paraguai a vassalagem a
    Washington?


    Mauro Santayana, jornalista, é colaborador do Jornal da Tarde e do
    Correio Braziliense. Foi secretário de redação do Última Hora (1959),
    correspondente do Jornal do Brasil na Tchecoslováquia (1968 a 1970) e
    na
    Alemanha (1970 a 1973) e diretor da sucursal da Folha de S. Paulo em
    Minas Gerais (1978 a 1982). Publicou, entre outros, "Mar Negro" (2002).

texto enviado por Habaette Ramos

Escrito por Socador às 07h29
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