Brasília, 1º de abril de 2005
Meu caro Ministro Gilberto Gil,
Não tive o privilégio de conhecer, na íntegra, o seu comentado panegírico
sobre a música brasileira. Tomei conhecimento, pela Internet, de um trecho
apenas.
Rogo sua ministerial licença para reproduzi-lo e, sobre ele, tecer um
pequeno mas sincero comentário:
"É..., bom..., eu queria dizer que a metáfora da música brasileira na
globalização efetiva dos carentes objetos da sinergia fizeram a
pluralização chegar aos ouvidos eternos da geografia assimétrica da
melodia..." (sic). Não sei se realmente se trata de um discurso ou se é
parte da letra de alguma música sua.
Depois de várias leituras, continuei sem entender o que a "mente
brilhante" de V. Exa. queria dizer, mas acredito tratar-se de algo muito
importante para a música. Afinal, o senhor é o ministro da Cultura e um
famoso cantor/compositor (embora seu estilo musical não seja o de minha
preferência).
Diante da imponência intelectual de V. Exa., senti-me um verdadeiro grão
de nada e, tomado por um repentino desespero, comecei a acreditar que
burrice e incapacidade - algo muito comum em nossos dias - estavam
embotando a minha modesta inteligência. É claro que não tenho a pretensão
de ser tão preparado e sábio quanto o senhor. Contudo, imaginava-me capaz
de, pelo menos, entender o que escrevem as pessoas, entre elas, o nosso
preclaro Ministro da Cultura.
Comecei, então, a amargar uma incontida tristeza até que, num domingo de
fevereiro (13.02.05), lendo o Correio Braziliense, verifiquei que não sou o
único que não entendeu bulhufas do que o senhor quis dizer. A professora
Dad Squarisi também não "pescou" nada. Como vê, estou em excelente
companhia, pois Dad Squarisi dispensa qualquer comentário.
Parece-me, caro ministro, que os próceres do PT estão dando um "banho de
cultura" no povo brasileiro.
Outro dia foi o palavroso presidente Lula que se saiu com esta:
"O holocausto foi um período obsceno na história da nossa nação. Quero
dizer, na história deste século. Mas todos vivemos neste século. Eu não
vivi nesse século..." (sic)
Percebo que o senhor e o presidente Lula têm uma grande afinidade
cultural: ambos conseguem se expressar com uma clareza de causar inveja em
nossos acadêmicos imortais.
Estou plenamente convencido de que o PT é um bando de cabeças à procura
de idéias.
Meu caro ministro, sem perder a elegância e desconsiderando o estupro
intelectual de que estamos sendo vítimas quase que diariamente, devo dizer
que, com a "Caríssima Trindade" (Lula da Silva na presidência, o senhor no
Ministério da Cultura e Severino na cabeceira da Câmara), para que o Brasil
ingresse no seleto e restrito grupo dos desenvolvidos falta apenas o
sargento Garcia prender o Zorro. É só esperar.
Receba V. Exa. minhas efusivas, candentes, inequívocas e indefectíveis
profalsas (esta saudação não é minha. Foi dita pelo inesquecível e "Bem
Amado" Paulo Gracindo, no papel do extraordinário personagem Odorico
Paraguassu). Considero-a bem apropriada para encerrar esta carta.
Continue escrevendo, meu caro ministro, afinal de contas precisamos
afastar essa onda de tristeza que está tomando conta do nosso povo.
Sinceramente,
GERALDO JOSÉ CHAVES
enviado pela Tia Portelense
Escrito por às 08h57
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