CARTA ABERTA DA VIA CAMPESINA-PARÁ
À SOCIEDADE BRASILEIRA E INTERNACIONAL
A Via Campesina-Pa, MST, CPT, MMC, MAB, MPA, legítimos defensores da reforma agrária, da igualdade no campo e da proteção à biodiversidade amazônica vem afirmar que os camponeses sabem que a história paraense moderna se confunde com a história do descaso e da violência. O governo tucano, responsável direto pela vergonha internacional do massacre de Eldorado dos Carajás, jamais mudou de postura em relação aos conflitos agrários no Estado.
As ocupações de terra, instrumento de fazer valer o direito à alimentação, a terra e a geração de empregos, vêm se intensificando nos últimos anos, tamanho o descaso do ITERPA, do governo do Estado, compartilhado pelo INCRA e pelo governo federal igualmente.
A Reforma Agrária é a forma constitucional e ideal de trazer segurança à diversidade florestal. Os movimentos sociais foram, na história do Pará, os únicos que conseguiram realmente ampliar a agroecologia e realizar a redistribuição igualitária de terras e empregos na estado.
O Estado, contudo, persiste sem nenhuma preocupação em realizar a reforma agrária, em terras que ofendem a Constituição Brasileira, improdutivas e especulativas e, unanimemente desrespeitadoras do meio-ambiente e das leis trabalhistas. O judiciário paraense, cooperando com essa prática, mostra seu caráter autoritário e contraditório. O Governo Jatene, por sua vez, está mais preocupado com o midiático e tecnocrático zoneamento econômico-ecológico, feito em gabinetes e sem respaldo na realidade, do que realmente impedir que grileiros e fazendeiros prossigam devastando a floresta.
Caso exista vontade de realmente frear o desmatamento amazônico ou mesmo erradicar o trabalho escravo, nós, trabalhadores e trabalhadoras rurais paraenses, defensores da biodiversidade, indicamos o caminho já há algum tempo: basta desapropriar as terras em que acampamos, que estão nas mãos de latifundiários que, mesmo sob a nova roupagem desenvolvimentista do agronegócio, são os grandes escravocratas e criminosos ambientais da Amazônia.
Entretanto, temos uma certeza que nos últimos dias foi novamente confirmada: os interesses do Governo do Pará são contrários ao fim da escravidão e do devastamento na Amazônia. Com o macro zoneamento já aprovado, pretendem criar brechas para intensificar a legalização do latifúndio e de um modelo de agricultura altamente impactante ao meio-ambiente e à sociedade.
Escrito por às 07h58
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