OPINIÃO ECONÔMICA 
 
Idiotas!
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. 
 
Na semana passada, soube que saiu o novo álbum da banda Automata, de
Salvador. O que vem fazer uma banda de rock numa coluna de economia?
Simplesmente o seguinte: uma das músicas do disco foi inspirada em
artigo publicado neste espaço em 2002, sob o título "Revisitando o
triunfo do idiota". Quando soube, fiquei exultante. Que outro
economista, pergunto, pode ostentar algo assim no seu currículo?
Fiquei pensativo, também. Há muito tempo não escrevo sobre o triunfo
do idiota. E, no entanto, ele é cada vez mais completo e avassalador.
O tema chega a ser perigoso.
Um dos que lançaram essa discussão (talvez tenha sido o primeiro) foi
o grande filósofo e ensaísta espanhol Ortega y Gasset, no seu livro 
"A Rebelião das Massas", de 1930. Anos depois, o nosso Nelson Rodrigues
retomou a tese (com mais graça).
O fenômeno é relativamente recente. Os idiotas sempre foram maioria,
desde tempos imemoriais. Só que antigamente o idiota era submisso e
humilde. Não se aventurava fora de limites estreitos e bem definidos.
De repente (mais precisamente no século 20), ocorre a sublevação
jamais vista, nunca imaginada. Os idiotas descobrem o óbvio: "Somos
maioria, esmagadora maioria". E passaram o trator por cima dos
melhores. Começaram a se projetar em escala global (a própria
"globalização" é, no essencial, obra límpida e inequívoca dos
idiotas).
Os papéis se inverteram. Funções e responsabilidades antes reservadas
aos melhores passaram a ser exercidas por idiotas de babar na gravata.
Qualificações exigidas: alguma habilidade, marketing, jogo de cintura,
palavra fácil e audácia. Com base nisso, passaram a governar países,
dirigir empresas, dar aulas, publicar livros, proferir conferências,
conceder entrevistas etc.
Na nossa época, os inteligentes, os sensíveis, os profundos vivem
totalmente acuados. Para não serem massacrados, muitos simulam
idiotice. Nelson Rodrigues falava dos "falsos cretinos", sujeitos
inteligentes e até excepcionais que se vêem, entretanto, compelidos 
a disfarçar o seu talento como se se tratasse de alguma mácula, algum
pecado, alguma tara vergonhosa.
É claro que em outras épocas sempre havia um ou outro idiota em
posição de destaque. Mas agora os idiotas estão em todas as áreas e
dominam grande parte da cena.
Exemplos? Vamos começar pelo alto: o "companheiro Bush". Quem sou eu
para julgar o presidente do país mais poderoso do mundo? Deixo a
tarefa para um dos gênios brasileiros do século 20: Oscar Niemeyer. 
Em solenidade anteontem no Rio de Janeiro, o grande arquiteto referiu-se
ao companheiro Bush assim: "É um idiota". Na minha opinião, John Kerry
perdeu a eleição fundamentalmente por não ter sabido dissimular a sua
esmagadora superioridade. Foi considerado arrogante e elitista.
Caixão.
Na verdade, era da política de juros e câmbio que eu pretendia falar
hoje (o espaço está acabando). A direção do Banco Central está
reeditando os aspectos mais idiotas da política econômica do governo
Fernando Henrique Cardoso. A combinação de juros estratosféricos e
câmbio fortemente sobrevalorizado ajuda a combater a inflação e poderá
permitir que ela fique dentro do intervalo estabelecido pelo Conselho
Monetário Nacional para 2005.
Mas, santo Deus, a que preço! A economia encontra-se em franca
desaceleração, o que afetará cada vez mais as taxas de desemprego e 
os salários. A produção industrial e os investimentos estão em queda. As
taxas de juro sobrecarregam o custo da dívida pública e promovem
concentração da renda nacional em um país que já apresenta uma das
piores distribuições de renda e de riqueza do planeta. A valorização
cambial prejudica fatalmente as contas externas e reforça a tendência
à estagnação.
Idiotice? Não creio. Os diretores do BC são todos inteligentíssimos.
Só há uma conclusão possível: a política de moeda e câmbio está nas
mãos de "falsos cretinos", que operam sob intensa pressão dos idiotas
de todas as procedências.
Faço então um apelo enfático: idiotas do Brasil inteiro, por favor,
dêem um descanso à diretoria do BC! 
 
 
Paulo Nogueira Batista Jr., 50, economista e professor da FGV- EAESP 
É autor do livro "A Economia como Ela É ..." (Boitempo Editorial, 2002).

Escrito por Socador às 14h10
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CARNAVAL 2006

 

Jerônimo, ex-mestre sala da Portela, será o coreógarfo da comissão de frente da agremiação de Oswaldo Cruz. Ele, que já responde pela direção de conjunto, acumulará as duas funções. Então vou dar-lhe uma dica: Que tal a Velha Guarda apresentando a escola. Não existe cartão de visitas melhor.

E o Renato Lage afirmou em entrevista que se o Mangano vencer a eleição no Salgueiro ele deixará a escola e não atuará em nenhuma outra no carnaval de 2006. Por favor salgueirenses, para o bem de todos os foliões votem no Mangano. 

Escrito por Socador às 08h10
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É O AI-JESUS

E o Fla-Flu, que jogão! Pena os atacantes serem tão incompetentes.

A propósito, entrei em uma comunidade no orkut e observei uma proposta de debate que dizia: "Hipoglicemia é fome", concordei imediatamente.

 

Escrito por Socador às 01h16
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